"Para ver muita coisa é preciso despregar os olhos de si mesmo" Friedrich Nietzsche
SOBRE O EDITOR
- Dr. Vitor Tadeu
- Nascido em Caçapava, no dia 24/06/1982, dia do padroeiro da cidade, São João Batista. É cirurgião-dentista na "Cidade Simpatia" há mais de um década. Trabalhou no Programa Saúde da Família de Caçapava por mais de 5 anos. Trabalha como voluntário no Projeto Amigos do Riso e atende pela ONG Turma do Bem. É formado em Programa Saúde da Família e Ciências Políticas pelo MOOC da USP - ECA (Escola de Comunicação e Artes) e estuda Gestão Pública pela UNIVESP.
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terça-feira, 17 de maio de 2016
O TEMOR PELOS MINISTROS DE TEMER
A escolha de Ministros de um Governo é sempre um momento emblemático. A divulgação dos nomes serve como um recado político e institucional para os diversos setores da sociedade: movimentos sociais, povo, empresariado, trabalhadores, parlamento, mercado financeiro e governos internacionais. Não poderia ser diferente nesse momento do país no qual um mandato de uma presidente sofreu uma (por enquanto parcial) interrupção e a entrada de um governo provisório. Nesse momento em que as vozes das ruas inflamaram e pedirem mudanças políticas, econômicas e institucionais, o fim da corrupção e um novo tempo de fichas-limpas, me sinto obrigado a discordar das escolhas do atual presidente Temer para composição de seu ministério.
Analisando com total imparcialidade, vejo 3 erros graves de suas escolhas, que geram um recado emblemático para o país, mas infelizmente um recado que me parece equivocado!
1) A troca de favores: Os nomes de ministros foram escolhidos pela troca de favores entre partidos, os quais votaram a favor do impeachment e agora prometem promover a governabilidade recebendo como prêmio cadeiras e vagas nos ministérios. É a famosa troca de favores ao invés da meritocracia. Os ministros foram escolhidos por decisões políticas e não pelo o que eles fizeram ou podem fazer pelo país, por suas capacidades ou por suas realizações, salvas algumas exceções.
2) Investigados por corrupção: Alguns nomes são investigados ou têm seus nomes citados em delações, sendo possíveis envolvidos em casos de corrupção no âmbito Federal ou Estadual. Aliás, com isso Temer tem mais ministros investigados que a própria Presidente Dilma. Claro que não podemos dizer que foram processados e condenados, isso ainda não aconteceu, mas é um contrassenso escolher ministros com nomes citados em corrupção num momento em que o povo clama por limpeza na política. Passa-se portanto uma imagem negativa e de possível tentativa de obstrução da justiça e fim da investigação dos contemplados com as cadeiras dos ministérios no Brasil aos mesmo moldes que Dilma pretendia com a escolha de Lula para ministro da Casa Civil, meses atrás, devido à garantia Constitucional do foro privilegiado.
3) Falta de representatividade: Muito se falou da falta de mulheres e negros no ministério, que está composto apenas por homens brancos. Na minha opinião o gênero ou raça não interfere na capacidade das pessoas, mas pode passar uma mensagem política positiva para a sociedade, mostrando à população que vários setores estão sendo representados. O povo quer se sentir representado e não se sentir ausente nesse momento. Existem empresários e agricultores, mas não existe a representatividade dos trabalhadores, por exemplo.
Em resumo, decisões meramente políticas com investigados em corrupção e falta de representante de diversos setores da sociedade, realçam um mensagem agressiva para o povo: Aqui mandamos nós e a política continuará sendo como ela é... Quais reformas políticas podemos esperar de um presidente com postura autoritária? Me parece claro que esse governo provisório, que tende a virar definitivo nos próximos meses, começa mal nas escolhas de sua equipe e passa um recado equivocado ao povo, podendo agradar a maioria da Câmara e do Senado, mas não agrada àqueles que foram às ruas para pedir mudanças. Haverá mudança? -Em alguns aspectos sim, mas a velha política impera e o futuro é incerto. Enquanto isso o povo se distancia ainda mais do Planalto Central!
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